sábado, 10 de maio de 2014

HISTÓRIA DE LURDINHAS * Antonio Cabral Filho - Rj


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     Não sei por que razão a "máquina" de Tenório Cavalcante chamava-se Lurdinha. Sei, apenas, que se tratava de uma metralhadora de marca Ina e com ela ele "escreveu" sua história, cobrindo de sangue a Baixada Fluminense.
     A minha Máquina, também, chama-se Lurdinha, mas tem as "mãos limpas" e por uma razão muito justa. É que com ela eu escrevo a minha história e derramo o meu próprio sangue, só que em sentido figurado, é claro.
     É que quando cansei-me da rotatividade no mercado de trabalho, uma das primeiras coisas que fiz foi vender livro nas portas das faculdades do Rio de Janeiro. Isso rendeu-me muita amizade, uma das quais com uma estudante de geografia da Universidade Federal Fluminense - UFF, que levava sua Olivetti portátil para o campus, visando preparar seus trabalhos urgentemente e entregá-los aos professores.
     Como era cansativo carregá-la o tempo todo, ela ficava comigo no saguão do Instituto de Matemática, aonde Lurdinha e seus colegas de turmas se reuniam para preparar os trabalhos.
     O tempo passou de fininho e Lurdinha concluiu geografia, ingressou em pedagogia e a máquina foi ficando comigo. E, graças a isso, acabei "datilografo" ( a quatro dedos, é verdade), oficial da galera, o que contribuiu para gerar alguns dividendos elaborando trabalhos para muita gente.
     Sem ao menos dar por mim, o ano se passava e lá vinha outra leva de calouros com aquela festança, a cara de espanto dos novatos, os trotes, um choro aqui, um namoro ali e o ombro amigo do velho livreiro para guardar os segredinhos da meninada.
     Um dia Lurdinha chegou com um monte de livros e pôs do meu lado...
- É teu!
- Mas... Gaguejei, e, ao notar que eram seus livros de consulta, todos comprados comigo, notei que ela dobrava uma jaqueta jeans, que há um monte de meses não saía da minha cadeira.
- Vai, finalmente, dar uma lavada na pobre, né! Ironizei-a.
- Não! Estou indo para a UFMG; vou morar em frente à Pampulha; até já dei uma volta na lagoa. Adiantou ela, irradiando felicidade.
- E a faculdade? Interroguei, assustado.
- Aqui o diploma! Mostrou-o sorridente, enquanto ajustava a mochila.
     Lurdinha é clarinha, de pele rosada, tem cabelos castanhos lisos, que ela corta à chanel, o que realça seu rosto redondo; seus olhos são esverdeados e mudam de côr ao mínimo reflexo da luz, tem estatura mediana e um corpo que nós, os machos, chamamos de "miñon".
- Tá-qui a máquina! E coloquei-a ao lado a mochila, já cheia de tralhas amarradas por fora.
- Tem ficha de telefone? Viajo hoje à noite  e até lá, quero me despedir de alguns colegas. E continuou falando um monte de coisas, enquanto eu amarrava uma linha com quinze centímetros mais ou menos na única ficha que eu tinha em um palito para que ela pudesse ligar sem perder a ficha.
- P....!! É claro que ela disse uma coisa que não cabe aqui.
- Você é um guerrilheiro! 
- Que isso, companheira! Beijou-me, abraçou-me, e foi saindo com a mochila na mão.
- E a máquina?! E ela voltou-se e disse:
- Eu a trouxe pra cá para bater trabalhos meus e defender um "qualquer" com os trabalhos dos colegas, mas ela virou um "ganha-pão" pra nós dois. Eu não tenho condições de tirá-la de você. Disse isso e virou-se com sua rodadinha característica, deixando-me sentado com a máquina no colo entre as mãos.
- Não é justo que ela se chame Lurdinha?!
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sábado, 3 de maio de 2014

APANHADOR DE SONHOS ANTOLOGIA # Antonio Cabral Filho - Edição Grupo Editorial Beco dos Poetas e Escritores - 2014


APA - RJ


1ª Edição São Paulo
Grupo Editorial
Beco dos Poetas & Escritores 2014
Contato: acf136@ymail.com
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Todos são unânimes quanto à fama, ao prestígio, ao sucesso e estrelato, sobretudo editorial: ninguém nasce popstar, ninguém VIRA Michel Jackson.
O livro APANHADOR DE SONHOS é uma ANTOLOGIA, com 27 autores, entre cronistas, contistas e poetas e vive este mesmo drama. São escritores dos mais díspares rincões do Brasil, entre os quais a exceção é aquele que tem apenas um ou dois livros editados, ou seja, a sua maioria já tem " um caminho andado."

Outro aspecto importante a destacar é a inserção da maioria de seus autores na prosa e no verso, contando-se nos dedos aqueles que se contentam apenas numa modalidade literária.

APANHADOR DE SONHOS ANTOLOGIA
traz ao público  autores bastante seguros na relação com o ato de escrever, o que podemos notar pela destreza dos textos, sem rodeios, sem arranjos nas entrelinhas, tanto na prosa quanto no verso.
Suas temáticas mostram isso, seja pela diversidade de assuntos, seja pela resolução apresentada pelo autor no desenrolar das tramas. Quanto à predominância da preocupação existencial,  a maturidade dos textos  mostra que o centro destes escritores é a solução dos dramas humanos. Confiram Adriano Ferris, Ana Bolena,André Anlub, Antonio Cabral Filho, Arnaldo Leodegário, Beto Acioli, Carolina Nunes, Célia de Almeida Alvarenga, Cintia Rank, Claudynha, Deolinda Nunes, Dú Karmona, Eugênio Morato Quadros, Fernanda Muniz Francisco, Harlei Cursino Vieira, Helládio da Silva Holanda, Isabem C S Vargas, James Pinheiro da Silva, Johnathan Bertsch, Leandro Yossef, Lenival de Andrade, Lin Quintino, Liz Rabello, Nino Campos, Sérgio Francisco de Oliveira, Sirlei Dangui, Zezé DSouza, 

Neste livro o leitor encontra o poeta extasiado com as realizações do amor, o cronista feliz por ter encontrado com um beija-flor a caminho do trabalho e o contista apresentando um estoque de soluções para quem sonha um futuro cheio de certezas.  

APANHADOR DE SONHOS ANTOLOGIA
pode ser adquirido com os autores, seja através de contatos diretos seja via suas páginas na internet, em sua maioria alojadas no Portal Beco dos Poetas, ou Facebook etc, e não fosse a exiguidade desta tiragem de lançamento, os distribuidores teriam um excelente produto de mercado, pois contariam com imensa rede de mídia a seu favor.
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